14.3.03

Ele acordou umas nove horas naquele domingo preguiçoso. Se esticou todo. Tomou coragem e levantou da cama. Ainda um pouco sonado, dirigiu-se ao banheiro. Deu uma mijadinha, escovou os dentes, lavou o rosto. Em seguida, tomou o seu café, brincou com a filha e deu um beijo ameno na mulher. Na hora do almoço, bateu um bom prato. Macarronada? Talvez. Um cozido? Pode ser. Só sei que ele deve ter ficado com sono. Ou não: de repente, acabou de almoçar e foi navegar na internet. Caso não gostasse de internet, pode ter assistido TV (a cabo, de preferência). Falou com algum parente ou amigo ao telefone, passou os olhos no jornal, quiçá, se acompanhasse futebol, torcera pelo Vasco contra o Americano (ou secara o clube de São Januário caso fosse torcedor de algum rival). Lá pelas sete da noite, resolveu levar o cachorro para passear. De bermuda e chinelo. Sem carteira, sem dinheiro, descompromissadamente. Meia hora depois...

Esta pode ser a reconstituição do último dia de vida do professor Gustavo Schnoor, assassinado no domingo passado.

Mas o que mais me impressiona é que ele, nem de longe, desconfiasse que aquele domingo seria o último dia de sua vida.





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